

Bem, vamos progredir. Hoje um texto que escrevi há um tempo. O começo definitivamente não é meu, é de uma proposta. Mas, modifiquei-o com a finalidade de imprimir características minhas. O chá está servido.
I

O Espartilho
Estavam todos dormindo na noite em que ouviu-se um estrondo na porta da frente. Minha irmã, de camisola branca, voou por cima de minha cama e eu acordei imaginando ver um espectro.
Meu irmão, mais velho do que nós duas, despencou escada abaixo gritando que mataria o calhorda que tentava arrombar a nossa porta. E como meu pai estivesse viajando, minha mãe começou a gritar sem parar. Não tive dúvidas e recorri à polícia. Ocupado.
Disquei outra e mais outra vez. Então, do outro lado da linha, uma voz me atendeu.
De imediato, não consegui falar. Depois de alguns segundos balbuciei de maneira inaudível o que estava acontecendo. Desliguei o telefone tremendo. Esgueirei-me pelo corredor e me escondi debaixo da escada. Vi meus irmãos passarem correndo, acho que se esconderam no lavabo ao lado de meu quarto.
Inexplicavelmente, minha mãe atravessou a casa e abriu a porta. E então o inexplicável se explicou. Uma prostituta do bairro gritava, implorava por abrigo. Em sua pele, sangue se confundia com o espartilho vermelho que salientava o corpo já marcado pelo tempo. O cabelo -- preso em um coque desfeito -- caía-lhe pelo rosto enquanto soluçava sem parar.
Em poucos minutos, explicou a razão de seu desespero. O espartilho, outrora limpo, fora comprado com o fruto de uma de suas noites de trabalho.
"Para agradar ao chefe", ela disse num tom apaixonado. O que não esperava era a reação dele. "Foi horrível, ele me bateu, e agora está me perseguindo. Por favor, minha senhora, por favor me acolha em seu lar!"
Minha mãe a recebeu, levou-a para cima, deu-lhe roupas novas e foi preparar-lhe um prato de comida. Tanta hospitalidade em vão. Tudo que ouvi foi o baque dos corpos no assoalho do piso superior. A moça matara meus dois irmãos. Pensei em correr e avisar minha mãe, mas a assassina já descia os primeiros degraus da escada. Ao se dirigir à cozinha, não percebeu, mas deixou cair um pingente de prata à minha frente.
O restante me parece confuso. Ouvi o grito de minha mãe quando a faca lhe perfurou a pele. Em seguida, vi a prostituta passar por mim com as jóias da família em suas mãos e um sorriso estampado em seu rosto. Quando saiu pela porta, olhou para trás e, por um segundo, seu semblante alegre pareceu desvanecer-se. Percebera a ausência do pingente.
Créditos:
Louise, pela foto. (Publiquei sem receber resposta, mas acho que você deixa!)
Gabriela, pelo page break de ontem.
Lembrando que sou eu quem lava a louça, então podem deixar suas xícaras sujas ao final de cada post.
Louise was here. (16h41)
Obviamente, o trabalho gráfico não foi feito por mim. Obrigado especial à Louise por ter dado uma passadinha por aqui e ajeitado o visual. Tenho certeza que a Casa de Chá ficará muito mais aconchegante assim. E é assim que deve ser. Nem sempre os chás que virei a oferecer no futuro agradarão aos convidados, no entanto, esforçarei-me para fazer com que cada um seja indispensável.
Sendo assim, começo com um plágio. Uma adaptação de Virginia Woolf.
Era uma noite de sexta-feira em janeiro e, como poucos de sua classe, M. servia o chá. Não sabia o porquê de servir chá às oito da noite, mas pensou que seria o horário certo. Sentou-se à beira da mesa de mogno e começou a escrever. Escreveu sobre suas desavenças, sobre suas paixões, sobre seu caráter, e quando se sentiu confortável com o recém-escrito texto, tomou um gole de chá.
