

Saudações. Por motivos pessoais (traduzindo-se: confraternizações, festas e afins) ausentei-me nos últimos dias. O chá está servido.
O quarto elemento (Parte II)
Mas Ares não se importava com isso. Seu forte eram os números, quebrava códigos bancários. Volta e meia, ouvia dele: suas farsas, seus roubos, assassinatos. Nunca foi preso. Era imperceptível, seus atos, calculados, e lendas cercavam o seu nome. Não o julgue mal, ele era tido como um justiceiro. De certa maneira, um Robin Hood do século XXII. Ele e Hades nunca se deram bem, sempre competiam um com o outro. Tiveram o mesmo fim. De certo modo.
E como disse no começo, aqui estou eu. Logo vou me encontrar com eles, não aguento mais a espera! Os ruídos estão aumentando. Os meros humanos não suportam mais a nossa raça. Os homens perfeitos já foram quase extintos. A maioria, mortos como no antigo Egito, lançados ao mar logo ao nascer. Os outros, degolados em praça pública. Tentei esconder-me dos holofotes durante minha vida toda, casei-me, tive filhos, fui morar no interior. Em vão. Quando as investigações se aprofundaram, me descobriram. E mataram minha família toda. Refugiei-me nesse apartamento de periferia, mas a tecnologia está ficando cada vez mais aguçada, não há como escapar.
Não penso em outra saída, e abro a porta para que os braços da ignorância tomem conta de mim. Fecho os olhos. Sorrio, pois ao fundo vejo duas silhuetas ofuscadas pela luz. São meus dois irmãos, Hermes e Ares, que me esperam de braços abertos.